Quando o número de casas vendidas diminui, é fácil associar essa quebra a uma desvalorização do mercado imobiliário. Contudo, os dois indicadores não evoluem necessariamente na mesma direção. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) ajudam a perceber porquê.

No 1.º trimestre de 2026, foram transacionados 35.953 alojamentos familiares em Portugal, menos 10,5% do que no mesmo período de 2025. No entanto, o preço mediano das habitações transacionadas atingiu 2.337 €/m², o que representa um aumento homólogo de 19,8%. Ou seja, venderam-se menos casas, mas as casas transaccionadas apresentaram um preço mediano superior.

 

Número de vendas e preço são indicadores diferentes

O número de transações mostra-nos quantos imóveis foram efetivamente vendidos durante determinado período. O preço mediano permite-nos perceber o valor que ocupou a posição central entre as transações realizadas.

Analisar apenas um destes indicadores pode, por isso, dar-nos uma visão incompleta do mercado. Uma redução no número de vendas não significa automaticamente que os imóveis estejam a perder valor. Da mesma forma, uma subida dos preços não nos diz, por si só, tudo o que está a acontecer no mercado.

 

Porque podem os preços subir quando existem menos transações?

O mercado imobiliário resulta da combinação de vários fatores. A quantidade e as características dos imóveis disponíveis, a procura existente, a localização, o tipo de habitação e o contexto económico podem influenciar tanto o número de negócios realizados como os valores praticados.

É também importante perceber que tipo de imóveis estão a ser vendidos. Uma alteração no perfil das habitações transacionadas pode influenciar os valores observados num determinado período. Assim, os indicadores devem ser analisados em conjunto e enquadrados na realidade de cada mercado.

 

A realidade local também faz diferença

Os dados nacionais são importantes para perceber a evolução geral do setor, mas não representam necessariamente aquilo que está a acontecer em cada região. O próprio INE mostra diferenças territoriais relevantes. No 1.º trimestre de 2026, apesar de o preço mediano da habitação ter aumentado em todas as 26 sub-regiões NUTS III face ao período homólogo, a dimensão dessa evolução não foi igual em todo o país.

Dessa forma, analisar o mercado imobiliário implica também conhecer bem a região e as suas diferentes realidades. No Alentejo, diferentes concelhos e localidades apresentam características próprias ao nível da oferta, da procura, do tipo de imóvel disponível e do perfil de quem compra. Uma leitura nacional é um ponto de partida, mas não substitui uma análise do mercado local.

 

Olhar para o mercado para além de um único número

Os dados do início de 2026 deixam uma conclusão importante: menos transações não significam necessariamente um mercado menos valorizado.

Para quem pretende comprar, vender ou investir num imóvel, perceber o contexto em que esses números surgem é tão importante como acompanhar a sua evolução.

Na Predimed Vasco da Gama, acompanhamos de perto o mercado e as diferentes realidades das zonas onde atuamos, contribuindo para decisões imobiliárias mais informadas e conscientes. Está a pensar comprar, vender ou investir? Fale connosco.

 

Fonte dos dados: Instituto Nacional de Estatística (INE), Estatísticas de Preços da Habitação ao nível local, 1.º trimestre de 2026.