Os projetos de investimento para Sines nos setores tecnológico, industrial, logístico e energético têm sido notícia nos últimos meses a nível nacional e internacional. É com grande expectativa que temos aguardado o início da concretização dos projetos no terreno, com noção do impacto regional e nacional que terá direto e indireto.
O mais recente anúncio do investimento de mil milhões de euros para a construção de uma unidade de produção de hidrogénio verde e amónia em Sines, pelo consórcio internacional MadoquaPower2X, e a notícia do arranque esta semana da construção da primeira fase do hyperscale datacenter, pela Start Campus, dão sinais muito positivos do desenvolvimento económico esperado para esta região nos próximos anos.
Além das fases de projeto e de construção, estes investimentos preveem criar centenas de postos de trabalho diretos em Sines nos próximos anos e mais indiretos.
Com início de produção previsto para fevereiro de 2024, segundo noticiou o jornal Público, o projeto de hidrogénio liderado pela empresa portuguesa Madoqua Renewables em parceria com a holandesa Power2X e a gestora de fundos dinamarquesa Copenhagen Infrastructure Partners, prevê criar 200 postos de trabalho diretos.
Este é o primeiro projeto de escala industrial neste setor no país e que vai “contribuir com 10 a 15% dos objetivos totais de investimento em hidrogénio de Portugal, com uma produção prevista, na primeira fase, de “50 mil toneladas de hidrogénio verde, que pode ser usado na indústria local, e 500 mil toneladas de amónia verde, que pode ser exportado através do porto de Sines”, detalham os promotores, citados pelo jornal Público.
O projeto da Start Campus aponta para a criação, nesta primeira fase, de 70 a 100 novos postos de trabalho diretos em Sines, estimando que, durante este ano, sejam ainda criados 400 postos de trabalho indiretos.
O NEST, o primeiro edifício do mega centro de dados que começou esta semana ser construído, terá um total de 5 mil metros quadrados, capacidade para 15 MW e será um modelo mais pequeno dos restantes edifícios, segundo noticia o jornal Eco.
“O edifício terá disponibilidade para um a seis clientes (seis salas de 2,5 MW) e contará com energia verde e refrigeração sustentável, para além de serviços de suporte”, descreve a Start Campus.
Esta primeira fase representa um investimento de 130 milhões de euros— desde o ano passado já foram investidos no projeto 20 milhões –, a primeira parcela de um investimento global estimado em 3,5 mil milhões de euros até 2027.
A relevância destes projetos para o desenvolvimento local e nacional é inquestionável, tanto pelo investimento em si e pela criação de empregos, como pela diversificação de setores, numa região em que a indústria petroquímica e a logística têm sido as principais atividades económicas, e também, claro, pela inovadora componente ambiental.
Numa fase em que o investimento em construção residencial tem estado praticamente parada, com oferta muito escassa de casas e apartamentos em segunda mão no mercado imobiliário em Sines e nas principais localidades da região, temos registado uma procura crescente de imóveis nos últimos dois anos, tanto para habitação própria como para rentabilizar, com a consequente subida dos preços de venda.
Com a implementação dos projetos de investimento anunciados (os mencionados neste artigo e outros previstos) prevemos que a procura continue a aumentar.
Encaramos a construção residencial em Sines e na região como uma oportunidade para investidores e uma necessidade para quem procura casa.
Há necessidade, há procura, é preciso criar oferta.